A sociedade de consumo

Recentemente voltei a me concentrar um pouco mais nos estudos para tentar iniciar um mestrado. Fui então fazer uma revisão bibliográfica das coisas que eu já tinha lido, porque a minha linha de pesquisa continua a mesma, e aproveitei para ler novamente os artigos que escrevi. Decidi compartilhar um trecho aqui sobre o consumismo, algo que sempre pesquisei muito.

Consumismo

Modelo do Ciclo de Vida de Modigliani

O consumo está presente na história da humanidade desde seus tempos mais remotos, onde as pessoas adquiriam apenas aquilo que lhes era necessário para sua sobrevivência. O consumismo surge pela aquisição do supérfluo, do que é excedente, do luxo. E a sociedade de consumo caracteriza-se por incentivar um estilo de vida baseado em um ideal consumista. Assim como define o sociólogo polonês Zygmunt Bauman:

De maneira distinta do consumo, que é basicamente uma característica e uma ocupação dos seres humanos como indivíduos, o consumismo é um atributo da sociedade. Para que uma sociedade adquira esse atributo, a capacidade profundamente individual de querer, desejar e almejar deve ser, tal como a capacidade de trabalho na sociedade de produtores, destacada (“alienada”) dos indivíduos e reciclada/reificada numa força externa que coloca a “sociedade de consumidores” em movimento e a mantém em curso com uma forma específica de convívio humano, enquanto ao mesmo tempo estabelece parâmetros específicos para as estratégias individuais de vida que são eficazes e manipula as probabilidades de escolha e conduta individuais. (BAUMAN, 2008 pg. 41)

A propagação do consumismo

Um aspecto importante para analisar-se a importância da sociedade de consumo para o capitalismo é entendendo a necessidade do cidadão/consumidor de estar enquadrado e sentir-se como parte dessa sociedade. Numa época onde as tradições, a religião e a política são menos produtoras da identidade central, o indivíduo procura encontrar um sentido – embora superficial – ao mundo que o rodeia e também à sua própria existência. Os objetos passam a ter um valor de significado e sua posse confere status, e a partir de então, são concebidos não apenas como simples objetos que viabilizam a satisfação, mas como “chaves” que possibilitam o enquadramento naquele meio em que vivem e com isso surgem o consumidor emocional e o culto às marcas.

As pessoas compram a versão mais cara de um produto não porque tem mais valor de uso do que a versão mais barata (embora possam usar essa racionalização), mas porque significa status e exclusividade; e, claro está, esse status provavelmente será indicado pela etiqueta de um designer ou de uma loja de departamentos. (SLATER, 2002 pg. 156)

Referências

BAUDRILLARD, Jean. A Sociedade de Consumo. Lisboa: Edições 70, 2010.

BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: A transformação das pessoas em mercadorias / Zygmunt Bauman; tradução de Carlos Alberto Medeiros. – Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008.

MANKIW, N. Gregory. Macroeconomia – 3ª Ed. – Rio de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora S.A. 1998

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